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A polêmica do glúten
Pessoas com doença celíaca, ao cortarem o glúten, têm uma vida mais saudável e, portanto, mais feliz. Mas e quem não é celíaco?

A julgar pelas prateleiras dos supermercados, metade do país parece ter abolido esse fragmento de proteína, encontrado no trigo e em grãos relacionados, como cevada e centeio. Ele tem recebido a culpa por tudo: da dor intestinal à infertilidade. Mas será que esse ingrediente, que fornece a textura deliciosa, consistente, macia e o sabor característico da maioria dos produtos de panificação, pode fazer tão mal para todo mundo?

Em uma palavra, não.

Quem deve abrir mão do glúten, então?

Levar uma vida sem consumir glúten requer paciência, criatividade e, sem dúvida, muito trabalho. Só que para quem apresenta doença celíaca ou tem alergia a glúten, certamente todo esforço vale a pena. Veja a seguir a nossa “colinha” para você se alimentar sem glúten.

         Alimentos naturalmente sem glúten:

Leite comum;
Sucos com 100% de fruta ou legumes;
Frutas e legumes frescos;
Amendoim sem pele, frutas secas, sementes;
Peixe fresco, aves, carnes (sem molho).

         Grãos e farinhas sem glúten:

Amido de milho;
Fubá e farinha de milho;
Farinha de arroz;
Fécula de batata e de mandioca;
Milheto (ou painço);
Soja, farinha de soja;
Polvilho doce ou azedo.

Os itens listados abaixo são exemplos onde  podem ser encontrados grãos e farinhas com glúten:

cerveja;
pão e em outros produtos de panificação;
frutos do mar ou na carne de imitação;
carnes enlatadas processadas
molhos para salada;
condimentos e molhos em geral, incluindo soja;
temperos prontos para arroz, feijão e caldos;
sopas e bases para sopa;
feijões enlatados;
medicamentos e vitaminas que levam glúten como agente aglutinador;
pasta de dentes;
cosméticos em geral.

 As dietas sem glúten foram desenvolvidas como tratamento para indivíduos com doença celíaca, uma condição autoimune que afeta em torno de 2 milhões de pessoas no Brasil, de acordo com a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil. Para pessoas que apresentam a doença celíaca, consumir glúten pode danificar o intestino delgado e levar a um conjunto de sintomas, incluindo inchaço, diarreia, constipação e vômitos, bem como consequências de saúde adversas, como infertilidade, osteoporose e distúrbios neurológicos. A doença celíaca normalmente não é diagnosticada, danificando, aos poucos, os intestinos e prejudicando sua capacidade de absorver nutrientes essenciais às necessidades do corpo. O único tratamento conhecido para essa doença autoimune é eliminar completamente o glúten da dieta, mas essa não é uma tarefa fácil, visto que o glúten é adicionado a alimentos aleatórios, como frios, embutidos e suplementos nutricionais.

“Os pacientes também podem apresentar alergia a glúten, que é diferente da doença celíaca”, afirma David H. Berman, MD, FACP, FACG na divisão Monte Sinai de Medicina Interna e Gastroenterologia, da Park Avenue Medical Professions. “Aproximadamente 1 em 30 adultos com sintomas abdominais é, na verdade, alérgico a glúten.” A alergia a glúten pode produzir sintomas semelhantes à doença celíaca, mas não irá provocar os efeitos colaterais mais graves associados à doença. De acordo com Berman, os pacientes com alergia a glúten podem tolerar pequenas quantidades dessa substância, mas somente quando estiverem sem qualquer sintoma. Dito isso, as dietas sem glúten podem ser úteis para grande parcela da população — contanto que sejam feitas da maneira correta.

Somos todos intolerantes a glúten?
Hoje em dia, você só precisa caminhar pelos corredores de um supermercado ou observar o cardápio de um restaurante para ser bombardeado pelas palavras “Não contém glúten!”. O mercado de alimentos que não contém glúten é um setor que soma U$ 6,3 bilhões, um aumento de 33% desde 2009, conforme relatado na The New York Times Magazine(novembro de 2011). A proliferação dos alimentos sem glúten é uma boa notícia para aqueles que apresentam alergia ou doença celíaca, mas, para o restante de nós, é um tanto quanto confuso. Como resultado de maior consciência do glúten no mercado, muitas pessoas começaram dietas sem glúten, achando que isso irá melhorar sua saúde ou acelerar seu emagrecimento. No entanto, não há evidências clínicas que sustentem a ideia de que um indivíduo saudável se beneficiará de cortar o glúten de sua alimentação. Na verdade, a maioria das pesquisas atuais sobre dietas que não contêm glúten avalia sua eficácia na melhoria das condições clínicas, e não em relação à saúde geral ou ao emagrecimento.

Cortar os grãos que contêm glúten de sua dieta pode privar seu corpo de micronutrientes essenciais, como ferro, cálcio, fibra e vitaminas B importantes. Ao eliminar esses grãos, você terá que obter esses nutrientes de outras fontes. Uma dieta sem glúten pode ser nutritiva se você substituir os produtos que contêm glúten por frutas frescas, legumes, proteínas magras e grãos sem glúten ricos em nutrientes, como a quinoa.

Tirar o glúten do seu plano alimentar para perder peso pode funcionar como um tiro pela culatra. Muitos grãos sem glúten, como trigo sarraceno, possuem muitas calorias. “As versões sem glúten de alimentos embalados também tendem a ser mais ricos em calorias, gordurosos e mais caros, além de possuírem poucas fibras em comparação com seus equivalentes normais”, conta Michelle Nabatian, nutricionista credenciada na Keri Glassman,. Concluindo: marque uma consulta com seu médico se está pensando em excluir o glúten de sua dieta; ele lhe dirá se essa é ou não uma boa ideia.