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Peso e ambiente de trabalho
Um número crescente de evidências científicas aponta para a existência de uma forte relação entre o peso e o local de trabalho.

Um número crescente de evidências científicas aponta para a existência de uma forte relação entre o peso e o local de trabalho.

Os ambientes de trabalho têm se tornado mais sedentários com o passar dos anos, o que influencia o peso. Estima-se que o gasto energético diário no horário de trabalho diminuiu em mais de 100 calorias desde 1960, e que essa transformação influencia diretamente as mudanças na média de peso. ¹ Uma pesquisa descobriu que quanto maior o tempo que os funcionários passam sentados, maiores as chances de alcançarem o sobrepeso.² A carga horária é outra influência. Um estudo publicado na International Journal of Obesity revelou que os homens e mulheres que passam mais horas trabalhando apresentaram um risco ainda maior de ganho de peso.³ Por outro lado, os cargos que requerem um nível alto de atividade física são associados ao menor risco de obesidade. 4

O ônus do sobrepeso no trabalho

O local de trabalho pode contribuir para o ganho de peso, mas o excesso de peso por si só tem impacto financeiro negativo para as empresas. As despesas médicas com os pacientes obesos é, aproximadamente, 30% maior do que com os funcionários dentro da faixa de peso saudável.5 Grande parte desses custos está mais relacionada às complicações do sobrepeso, como diabetes tipo 2, hipertensão e as cardiopatias, do que a outras doenças. Esses gastos provêm de consultas médicas, medicamentos e internações.

O sobrepeso também tem consequências negativas na produtividade. Os funcionários mais pesados têm desempenho inferior e apresentam mais problemas de saúde do que os que não estão com sobrepeso, resultando em perda de dinheiro. Os dados de um estudo, por exemplo, mostram que os trabalhadores mais pesados são pelo menos duas vezes mais suscetíveis a apresentar níveis altos de absenteísmo (falta de assiduidade no trabalho) do que os que estão na faixa de peso saudável.6  

Não se trata apenas do absenteísmo. O excesso de peso está relacionado ao “presenteísmo” – isto é, horas de trabalho pouco produtivas devido ao estresse ou doenças. Uma pesquisa publicada no Journal of Occupational and Environmental Medicine revelou que dois terços do tempo dessa diminuição de produtividade entre os trabalhadores obesos são consequência do presenteísmo, enquanto o terço restante é causado pelas faltas ocasionadas por problemas de saúde.7

Estima-se que o custo total anual da obesidade nas empresas, incluindo despesas com saúde, absenteísmo e presenteísmo chegue a 73,1 bilhões de dólares, com mais de 60% das despesas atribuídas aos indivíduos com o IMC acima de 35.8 

Pequenas mudanças = grandes resultados

A boa notícia é que o emagrecimento pode reduzir as despesas médicas e aumentar os níveis de produtividade e desempenho dos funcionários. Perder de 5 a 10% do peso inicial ou prevenir o ganho de peso pode trazer benefícios significativos para o bem-estar dos funcionários e para a saúde financeira das empresas.  De acordo com a equipe dos Centers for Disease Control and Prevention, os programas de manutenção de peso oferecidos no local de trabalho, que incluem acompanhamento dos funcionários por meio de um plano alimentar mais saudável, apoio de grupo e incentivo a mudanças comportamentais e à prática regular de atividades físicas são recomendados para prevenir e/ou controlar o sobrepeso e a obesidade nas empresas.9

Existem evidências que comprovam a eficiência desse tipo de assistência. Organizar um ambiente de trabalho que incentiva a conquista do peso saudável resulta na diminuição dos fatores de risco de doenças cardiovasculares por pelo menos um ano. Quem sofre com diabetes também pode se beneficiar com esse tipo de programa.10 Felizmente, muitos empregadores começaram a oferecer esse ambiente de apoio em suas empresas.

Conclusão

Emagrecer devagar trará resultados positivos não só para a saúde, mas também irá reduzir os custos médicos e ter um impacto benéfico sobre o desempenho e produtividade no trabalho. Se os programas de emagrecimento (inclusive o do Vigilantes do Peso) forem oferecidos no próprio local de trabalho, será mais fácil incentivar a conquista do peso saudável.

FONTES:
1 Church TS, Thomas DM, Tudor-Locke C, et al. Trends over 5 decades in U.S. occupation-related physical activity and their associations with obesity. PLoS One. 2011;6(5):e19657. Epub 2011 May 25. 
2 Mummery WK, Schofield GM, Steele R, Eakin EG, Brown WJ. Occupational sitting time and overweight and obesity in Australian workers. Am J Prev Med. 2005 Aug;29(2):91-7. 
3 Lallukka T, et al. Psychosocial working conditions and weight gain among employees. Int J Obes (Lond). 2005 Aug;29(8):909-15. 
4 Steeves JA, Bassett DR Jr, Thompson DL, Fitzhugh EC. Relationships of occupational and non-occupational physical activity to abdominal obesity. Int J Obes (Lond). 2011 Mar 22. [Epub ahead of print]. 
5 Withrow D, Alter DA. The economic burden of obesity worldwide: a systematic review of the direct costs of obesity. J Occup Obes Rev. 2011 Feb;12(2):131-41. 
6 Tucker LA, Friedman GM. Obesity and absenteeism: an epidemiologic study of 10,825 employed adults. Am J Health Promot. 1998 Jan-Feb;12(3):202-7. 
7 Ricci JA & Chee E. Lost Productive Time Associated with Excess Weight in the U.S. Workforce. J Occup Environ Med. 2005 Dec;47:1227-1234. 
8 Finkelstein EA, DiBonaventura M, Burgess SM, Hale BC. Lifetime health and economic benefits of weight loss among obese persons. Am J Public Health. 1999 Oct;89(10):1536-42. 
9 Katz DL, et al. Public health strategies for preventing and controlling overweight and obesity in school and worksite settings: a report on recommendations of the Task Force on Community Preventive Services. MMWR Recomm Rep. 2005 Oct 7;54(RR-10):1-12. 
10 Eddy DM, et al. Clinical outcomes and cost-effectiveness of strategies for managing people at high risk for diabetes. Ann Intern Med. 2005. Aug 16;143(4);251-264.