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22 de abril — Dia da Mandioca / Dia do Descobrimento do Brasil
No quesito nutrição, essa raiz se destaca por ser rica em vitamina C, por ser fonte de carboidratos e, portanto, fonte de energia, e por não conter glúten.

Não coincidentemente, a data escolhida para homenagear a mandioca é a mesma em que é comemorado o Dia do Descobrimento do Brasil, já que o país é o maior produtor da América e é considerado centro de origem e de inspeção desse alimento.¹ A história da mandioca está cruzada com o descobrimento e o desenvolvimento do Brasil em vários momentos. Há mais de 500 anos, ao ser descoberto, os portugueses conheceram essa raiz, que fazia parte da base alimentar dos nativos, e reportaram essa descoberta à corte portuguesa. Pero Vaz de Caminha relatou em sua carta:

Faz-se por aqui umas broas, chamadas beijus, tão alvas e saborosas que superam, e muito, o pão desse reino.”

Mais tarde, em 1824, foi outorgada a primeira constituição brasileira, que ficou conhecida como “Constituição da Mandioca”, onde somente pessoas que tinham posse, não em moeda corrente, mas sim em alqueires de farinha de mandioca, foram autorizadas a votar nas eleições estabelecidas em dois graus, o que limitava a eleição dos representantes à a aristocracia rural.

Além da parte histórica, pensando nas questões nutricionais e de versatilidade, a mandioca é realmente um tesouro nacional. Segundo especialistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a mandioca é um recurso polivalente. A composição da sua raiz (polpa, fibra e água) permite que ela seja utilizada como alimento de diversas formas e, no campo industrial, o amido retirado da goma pode dar origem a colas, tintas, papéis, papelões, filmes, espessante de pasta de dente, embutidos, sorvetes, balas, cervejas e embalagens biodegradáveis. Além disso, é um cultivo resistente à estiagem, por conta das suas raízes longas.

Apesar de todas essas qualidades, a mandioca não é tão explorada quanto poderia ser. Pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura declaram que a assistência técnica existente nesse ramo não é adequada para que essa produtividade seja aumentada e seu uso passe a ser melhor aproveitado. Declaram, ainda, que a valorização da mandioca aliviaria a dependência brasileira do trigo, que tem 80% de sua safra importada. Avaliam que a fécula de mandioca pode substituir o trigo na ordem de 10% a 20%, o que resultaria em economia com a importação e viabilizaria essa receita para outros fins de desenvolvimento do país.

O aumento do consumo do trigo, que aconteceu desenfreadamente (produtos industrializados, como pães, biscoitos, massas, pizzas, bolos e “salgados”, passaram a fazer parte da base alimentar da população), e o crescimento populacional das últimas décadas tornaram-se fatores-chave para o excesso de consumo desse cereal, que acompanha também a mudança de hábitos e o incremento de casos de excesso de peso e obesidade no país.

Para compreender a existência de diversos subprodutos alimentícios da mandioca, é necessário entender os tipos de mandioca existentes e os seus processamentos. Existe um número muito grande de espécies de mandioca, que podem ser divididas em dois grandes grupos: as mandiocas bravas e as mandiocas mansas, também conhecidas como “doces”, “de mesa”, “aipim” ou “macaxeira”. A diferença entre elas está na quantidade de uma substância tóxica, o ácido cianídrico; porém, as mandiocas do tipo mansa possuem quantidades mínimas que não causam prejuízos à saúde e, por isso, podem ser consumidas, sem problema, na forma fresca. A mandioca brava possui quantidades elevadas dessa substância; então, deve ser processada para que esse tóxico seja eliminado e, assim, ela se torne um alimento seguro para o consumo.

Dos vários alimentos e ingredientes que podem ser feitos a partir das raízes de mandioca, destacam-se os beijus, as farinhas, o tucupi, a fécula ou goma, a tapioca, o sagu, o polvilho azedo, a mandioca cozida ou frita e a puba ou carimã. Cada um deles passa por um processamento específico para a obtenção do produto final.

No quesito nutrição, essa raiz se destaca por ser rica em vitamina C, por ser fonte de carboidratos e, portanto, fonte de energia, e por não conter glúten². Comparando a mandioca com o trigo, que é um cereal e também é fonte de energia a vantagem é que ela pode ser consumida por celíacos e intolerantes ao glúten.

Como é possível ser consumida de diferentes formas, pode fazer parte de praticamente todas as refeições. Confira alguns exemplos de como incluir a mandioca no cardápio:

Café da manhã: tapioca; mandioca cozida; pão de mandioca.

Almoço e jantar: mandioca assada; nhoque de mandioca; escondidinho; purê.

Sobremesas ou lanches: sagu; bolos; cremes e pudins.

Referências:

¹ Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Embrapa Mandioca e Fruticultura. Disponível em: https://www.embrapa.br/mandioca-e-fruticultura.

² Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO). Disponível em: http://www.unicamp.br/nepa/taco/contar/taco_4_edicao_ampliada_e_revisada....